segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Georgia on my mind

Georgia on my mind c'est seulement un test pour recommencer à écrire quelque chose dans cette boîte. Georgia on my mind est encore une très connus chanson qui a été composé par Hoagy Carmichael dans les années 1930. Alors que Ray Charles devait jouer dans une salle de Géorgie, à cause de la loi de ségrégation dans les années cinquante au sud des USA, il refuse d'y rentrer, respectant ainsi tous les noirs américains, se rebellant contre l'autorité. Ces informations se sont éclatés seulement à cause de le nom du type employé pour lui écrire.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Alguma coisa de imagem

Resolvi botar aqui algumas imagens, fotos precisamente, de um sujeito que só vim a conhecer depois de ter lido o texto de Benjamin que quase me acabrunho em dizer o título só de pensar em quantas vezes já ouvi os alunos das humanidades repeti-lo pelos corredores, nas mesas dos butecos, na conversa com os amigos - quando o sujeito fala mais alto para impressionar os ouvintes imaginários que julga estar à sua volta - . É o tal do Atget, mencionado por Benjamin naquele ensaio que todos conhecem. Não entendo picas de fotografia, mas estas abaixo me agradam.

Gosto dessa aqui.










Dessa aqui também.














E desta outra também













E dessa, que é a mais legal dentre as quatro.











Ficamos por aqui.

E com vocês o Sr. Honório de Balzac

Gosto muito dos romances e novelas de Balzac. Afirmo isso sem nenhum conhecimento de causa pois o que li do autor não representa ínfima parte do que o desgraçado escreveu - 89 títulos integram a Comédia Humana-. Propus-me ainda em vida ler, ao menos, todos os romances e novelas que compõem as Cenas da Vida Parisiense, que me parecem ser o filé mignon da Comédia Humana, o que afirmo, repito, sem nenhum conhecimento de causa.
O danado do escritor nos pega sempre por seus começos. Os parágrafos iniciais de suas narrativas são sempre muito instigantes e no fazem seguir sempre em frente na expectativa de se deparar com algo parecido com o que você leu no início do romance, da novela, do conto, o que nem sempre acontece. De vez em quando ele te presenteia com um bibelotezinho qualquer, como aqueles infelizes que praticam a maratona e em algum momento dos 140 km que devem percorrer, ganham uma garrafinha de qualquer isotônico pra dar uma refrescada.
Mas como falo sem nenhum conhecimento de causa, com já foi dito anteriormente, dou voz ao velho Balzac em seu Ferragus, primeiro do ciclo da História dos Treze, da qual também fazem parte, A menina dos olhos de ouro e, ainda,  A duquesa de Langeais. Preparar, apontar, fogo:

Existem em Paris algumas ruas de tão má reputação quanto a que pode ser atribuída a um homem que cometeu alguma infâmia; existem também ruas nobres, ao lado de ruas simplesmente decentes; um pouco mais além, estendem-se ruas jovens, sobre cuja moralidade o público ainda não teve tempo de se decidir; e há ruas assassinas; ruas mais antigas que as mais velhas das viúvas ricas; ruas simpáticas, ruas sempre limpas, ruas sempre sujas, ruas operárias, trabalhadoreas, comerciais. Em uma palavra, as ruas de Paris têm qualidades humanas, e seu aspecto geral nos impõe certas idéias contra as quais no sentimos indefesos.

E assim segue, a aventura pelas misteriosas ruas de Paris. Foi leitura muito apreciada. Recomendo àqueles que não têm o que fazer, e aos que têm muito, e não desejam fazer nada.

Auto-ajuda em ritmo de aventura

Em clima de retorno, como se tivesse passado alguns anos vivendo na Bulgária sem aprender a falar o idioma e comunicando-me através de sinais, sendo explorado em empregos amaldiçoados e vivendo com 12 outros estrangeiros num kitnet de 18 metros quadrados, aproveito para colocar aqui mais um textículo, um extrato da mais fina reflexão. Como espécie de auto-ajuda, motivador de espíritos fatigados com luta que é esta vida. Vamos a ele: o grande, o primeiríssimo, o number one, Leon Battista Alberti: 

"Trataremos de evitar a ansiedade em terminar as coisas, o que produz obra apressada e imperfeita. Às vezes é bom aliviar o cansaço do trabalho distraindo o espírito. Não adianta fazer como alguns que assumem muitas obras, hoje uma, amanhã outra, deixando-as incompletas. Ao contrário, a obra que se começa, devemos torná-la acabada sob todos os aspectos."


Este aí foi retirado do Da pintura, precisamente do Livro III, parágrafo 61, que se encontra na página 138. Segundo consta, é o primeiro tratado esquematicamente elaborado sobre a pintura, e lançou as bases da atividade. Mas não dêem fé absoluta às palavras deste mentecapto. Procurem direitinho as informações na biblioteca mais próxima.


Não é preciso de título pois isso não se endereça a ninguém a não ser ao desocupado que aqui resolveu se instalar.

Resolvo então retomar as bobagens que escrevo neste espaço, que me permite fazer o que bem entender, testar minha incompetência para a escrita bem como para a reflexão mais cautelosamente desenvolvida. Me pergunto se devo fazê-lo e sem pensar muito a respeito respondo a mim mesmo que sim. Como um caderninho juvenil retorno ao mesmo ofício de anotar coisas sem importância. Começo com umas reflexões um pouco enviesadas de Michel Butor acerca da materialidade do livro. Lemos e pronto, não é mesmo? Pois então eis que o sujeito resolve refletir sobre coisas que nunca damos importância quando se trata de ler algo. Como por exemplo:

O estudo da física do livro nos ensina que a forma a que estamos habituados corresponde a um certo manejo, a um certo emprego; ele nos mostra também que não é indispensável que a superfície sobre a qual depositamos os traços seja plana; se ela for curva ou complexa, a ligação entre suas regiões será totalmente diversa.

A arquitetura nos dá inúmeros exemplos desse fato. Os monumentos antigos são em geral cobertos de inscrições, que se dispõem em espaços de inesgotável variedade.

O lugar ocupado por uma palavra no desenrolar da frase muda seu sentido, mas o mesmo ocorre com relação ao lugar que ela ocupa no desdobrar da página, na expansão do volume.

Hugo declarava que o livro era um transformação moderna da arquitetura, uma arquitetura tornada plenamente móvel pelo fato de ter sido, por sua multiplicação, liberada de seu lugar. (240-241)

Isso não muda a vida de ninguém, mas acho interessante dar-se a pensar sobre temas como os sugeridos por Butor. Por quê se apegar àquela idéia rançosa de que tudo o que fazemos deve ser útil. Isso enche o saco. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Parar e pensar um pouco

Do mesmo modo que o sujeito passa a apreciar melhor a fotografia, fotografando, ou ver melhor um filme, filmando. Pois é ao olhar através de uma objetiva que você passa a perceber melhor a coisa.

É um outro tipo de olhar. A gente nem sonha enxergar daquele jeito até o momento em que você se depara com a experiência. Depois é lógico que o teu olhar passa a ser mais atencioso. Você aprende, ao olhar por uma objetiva, a manipular o teu próprio olhar. Uns mais, outros menos, como em tudo.

O mesmo acontece com a linguagem. Só que aí o teu mecanismo é outro. A linguística, acredito, é um deles. Você só passa a perceber, ou dar atenção a determinados fenômenos quando você chega mais perto da linguagem. Aproxima, isola uma caso, estuda-o mais minuciosamente, realizando uma espécie de operação como a do fotógrafo ou o diretor de cinema. Ou até mesmo a do cientista. Os procedimentos são muito parecidos: a observação é o método.

Outra vez eu vi um diretor de cinema - talvez isso seja normal mas para mim era novo - com uma lente através da qual, acredito, ele organizava e controlava toda a cena. É isso. A gente quando trabalha  com a linguagem precisa desenvolver certos mecanismos que nos auxiliem a olhar melhor pros textos das mesma forma como fazem esses artistas. Não adianta pressa, a coisa nunca vem imediatamente, às vezes é necessário olhar muito pra algo pra poder extrair qualquer coisa dali. Observação é o método.

O problema que eu vejo hoje em dia é que existe muito artista. A gente deveria até é ficar contente mas, calculando bem, a gente até se chateia um pouco. O caso é que muita gente que taí, que ficou até famosa e tudo, não leva a coisa como deveria. O sujeito quer se tornar artista pra se distinguir dos outros. Pura vaidade. Deve ter muito caso assim. Pra ver mesmo precisaríamos encomendar a pesquisa pro IBGE. 

Tudo bem, c'est normal, quanto produto de empresa porcaria não tá no mercado e é super aceito pela população, que compra, investe, confia, até a hora que descobre...? daí já viu.

Antes isso era um desafio. Muita gente querendo mais andar é pelas ruas mais conhecidas. Aquelas meio obscuras, com pouca gente... nevermore leonore. Poucos se importavam com distinção. Hoje não, a coisa mudou muito. Mundo é muito misturado. Hoje a turma tá querendo mais é se distinguir mesmo. Talvez por necessidade de conseguir mercado - não tá cheio de artista que vai lá pro ministério fazer campanha em benefício da classe?; parece até que se esquecem que somos subdesenvolvidos, como diz a ONU -, talvez por carência afetiva, ou então por vaidade mesmo. Qualé o problema?

De modo então que, com tanto artista por aí, fica até difícil identificar quem anda trabalhando legal mesmo. Que tá ali, carregando sua lente o tempo todo, observando a coisa de outros ângulos e dando o toque; que isso é mesmo o grande lance do artista, dar a ficha pras pessoas que ainda não tem a manha desse olhar. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Três poemas

A partir de agora
vou fazer silêncio

o que antes era
abalo císmico,
tornados
cataclismos,
fica suspenso.

mesmo um suspiro,
sugiro,
não faça 
nenhum movimento

até que então
eu possa,
arrancar tudo de dentro

que seja ódio,
que seja tédio,
qualquer sentimento

que agora 
já não importa nada,
esperemos o próximo vento.

*   *   *

Escrever sobre o nada.

Grafar em branco
 
- em linhas brancas -

a tormenta do silêncio,

o vácuo 

do tempo suspenso,

o núcleo do oco,

sem nada dentro.

*   *   *


   Não quero mais essa língua 
que míngua
quero uma língua ambígua
anti-narrativa
não mais essa língua antiga

Algo que vá
além do meu umbigo
que atravesse os cinco sentidos

Quem sabe,
um império de signos.